quarta-feira, 21 de outubro de 2015

E tudo de novo outra vez....

Então, chega um dia que você acorda. Você acorda e está calor, muito calor. Não dá para usar calça jeans mais, não dá.
Você acorda e percebe que depois de duas gravidezes você está acima do peso e não está feliz. Um filho atrás do outro, nunca fui atleta, o corpo demora cada vez mais para voltar ao normal. E você está perto dos 40 anos. Uma somatória nada, nada agradável e que faz mal para minha saúde.

Soma-se a isso uma conversa descontraída com o marido que eu fui sentar no colo dele e ele disse que não me faria nada mal perder alguns quilos. Pronto: a conversa não teve nada de descontraída. Fiquei puta da vida, armei barraco, tenda, quiosque, usei de toda minha base feminista que eu acredito, mas que para mim não estava mais surtindo efeito do tipo “e você, o que está fazendo, por que eu tenho que ser atraente, estou cansada, tenho dois filhos, não durmo a noite inteira, estou sempre doente, procure outra que atenda às suas expectativas, meu filho.... E por aí vai.”
Mas não, eu não quero mais esse peso a mais. Eu estou me sentindo mal, cansada e, como sempre digo, tenho duas crianças para criar, ou seja, quando eles estiverem com 20 anos, eu estarei perto dos 60 e jamais quero estar caindo aos pedaços. Na verdade, quero ser uma Maria Avelar, meus filhos: corpo, cabelo, alma e espírito. Minha vó também.... Um pouco dela e da Avelar está de bom tamanho. Josely também. Lúcia Helena também. Uma mistura basicamente. A Eloisa Souza também.
Pois enfim, ando cansada demais. Comida acaba sendo uma maneira de enfrentar os desafios de uma maternidade. A gente vai naquela de que um docinho não vai fazer mal, um pedacinho de pão também não (e que vocês não devem ter provado o pão do “Nosso Pão” para saber o que é estar no limbo!) e quando vê está tudo nas coxas e nas nádegas. Tudo.
Acontece que para engravidar da Glorinha eu tive que fazer uma mudança de vida drástica. Muito drástica do qual não tenho a mínima vergonha em relatar (vergonha devemos ter de roubar, matar, mentir e por ai vai. Se eu puder ajudar outras mulheres com meu relato, vamos junto!) porque sofri de uma depressão severa. Tão severa, tão severa que até em Clínica eu fiquei. Foram tempos difíceis. Foram meses terríveis. Muito remédio, muitas perdas, sozinha em uma clínica, longe de tudo e todos, sofrendo com a ausência da família que eu não sei o motivo de nunca terem ido me
visitar, além do Dirk. Tudo muito triste. Sai de lá inchada, pesando 20 quilos a mais, com surtos, sem saber meu papel no mundo. Foi terrível. Eu estava tão, mais tão diferente que nunca vou me esquecer do jeito delicado que meu marido, pouco tempo depois, me disse da minha aparência: “você parecia uma mulher de 70 anos...” Digamos que hoje me dia ter 70 anos não signifique nada, mas era uma mulher de 70 anos sofrida, com os baques da solidão, da dor espiritual, de não saber o que fazer do futuro, com medicação fortíssima...”
E eu tive que enfrentar tudo...eu e o Dirk. Juntos. Me diziam que eu nunca ficaria livre dos remédios, mas eu já não aguentava mais. Eu sabia bem no meu íntimo que eu não precisava daqueles remédios, o que eu precisava e preciso até hoje é me controlar frente aos "nãos" (haja altruísmo, vontade de mudar,  pedir perdão, tentar de novo, mas eu quero, eu vou conseguir, haja terapia, homeopatia, perda de amizades, haja. Chega!). 
Combinamos eu e ele que pararíamos os remédios, mas com ele me observando, deixando claro que não recomendo isso a ninguém, ao menos que você tenha uma pessoa que te conheça tanto, mais tanto que seja capaz de perceber se os remédios estão sendo mesmo necessários ou você é quem não está sabendo lidar com a vida e tem que aprender na raça. 
O engraçado que até hoje eu tenho que lidar com certas coisas e quando me chamam de algo que dói (tipo explosiva, etc) eu imagino se a pessoa sabe a história da minha vida. Não que a pessoa tenha que compreender, passar a mão na minha cabeça, mas me fale dos seus pecados que eu te falo dos meus!
Pois então, foi no México quando ele chegou do trabalho que eu disse: “vou parar com os remédios. Eu me exercito, eu faço de tudo, mas esses remédios não ajudam. Eu vou parar!”
Foi lento, foi fácil porque eu sabia que dependia de mim. Eu queria minha vida de volta!

Lembro então que na volta, fui a ginecologista e disse que queria engravidar e ela me disse que eu precisava emagrecer. Eu me pesei lá e tomei um susto, mas pelo menos livre dos remédios eu estava. Ela me recomendou uma médica homeopata. Escreveu uma carta para eu levar lá. Fui direto a médica homeopata e a secretária leu a carta e disse que era impossível conseguir horário e me mostrou a lista de espera. Eu comecei a chorar. O telefone tocou. Uma pessoa tinha acabado de desistir da consulta que seria daqui 15 minutos. Ela me perguntou se eu poderia ficar e eu, logicamente, disse que sim. O Universo começava a conspirar ao meu favor.
Foi simples, mas foi foda. Na verdade, ter acesso a pessoas e lugares que te ajudam, muda tudo. Fico realmente pensando quem faz tudo isso na raça, sem dinheiro, sem meios... essas sim são mulheres que merecem meu respeito e palmas. Mulheres que parem em SUS, mulheres que emagrecem andando na rua de madrugada antes das crianças acordarem, mas não vou me desmerecer. Esse foi meu processo, tive muitas perdas, ainda tenho. Cada um sabe a dor e delícia de ser o que é. Menos julgamento, mais amor!
Investi tudo na corrida, na yoga, homeopatia.... Quantas vezes amigas minhas não me viam de madrugada, correndo na rua com a Preta (sim, aquela que hoje está velhinha, cega e bate a cabeça). Mas lá estava eu, com objetivo definido. Queria ter um filho, queria emagrecer mais de 20 quilos e ia conseguir. Consegui parar de tomar todos aqueles venenos. Nada é impossível. Eu chorava muito também, lembrando de quem tinha me machucado tanto, mais tanto. Eu mal podia passar por certos lugares e ruas sem ter ânsia de vômito, eu ainda não conseguia entender como alguém podia fazer tanto, mais tanto mal a outro ser. Mas podem! Até hoje fazem. Mas eles passarão, eu passarinho!
Fui para a Índia e fiquei em um ashram recomendado pela minha mestra, Maria Avellar. Fiquei um mês em Lonavla, no Instituto Kaivalyadhama. Foi uma viagem e tanto. São Carlos, São Paulo. São Paulo, Turquia. Turquia, Índia. Mais 4 horas de viagem de carro e me deparar então com o oposto do meu mundo. Entrar em um quarto sem banheiro, tomar banho em um banheiro coletivo com uma abertura no chão. Banho gelado. Uma ida dentro de mim, passar por cima de tudo o que a gente considera certo, perfeitinho. E o que eu mais precisava? De mim e só!
Foi um mês de muita prática de yoga, manhã, tarde e noite. Terapia com comida. Jejum. Todo aquele veneno saindo do corpo. O calor, as terapias com óleo, nada de luxo. Pessoas do mundo inteiro a procura de si mesmos. E pessoas lindas, belas. Quantos encontros maravilhosos com pessoas do Mundo inteiro, cada um com sua história. E eu adorava assistir as aulas dos ninjas (professoras de yoga que faziam curso de aprimoramento que praticavam asánas que eu jurava serem impossíveis de executar, mas eles executavam!). Eu estava bem, eu estava com tudo e com nada. Sozinha de novo, mas um sozinha cheio de esperança. Éramos eu e Deus fazendo as pazes.
Quando voltei ao Brasil, a luta continuava. Muito exercício, ir fundo, ir fundo.
E finalmente, a balança ia diminuindo. O sonho de me tornar mãe estava cada vez mais perto. Mas os miomas, os malditos miomas poderiam colocar tudo a perder. O médico disse que tinha que operar, tirar tudo e aí engravidar. Comentei com a Avelar que me aconselhou mais reiki, mais yoga. E foi o que eu fiz: mais yoga, mais reiki, mais fé, mais coragem e até passar por constelação sistêmica eu passei.
E então, meus peitos doíam e eu achando que era TPM. Mas também tive azia e nunca tinha tido azia. Escrevi isso no facebook e uma amiga me disse que eu estava grávida. Magina, grávida. Nunca. Peguei a Preta para passear, Dirk estava a trabalho na Indonésia (ou Tailândia!). Passei na minha vó, disse que estava com azia e ela para não me dar esperança, disse que era falta de comer direito. Só consegui comer um pão com queijo.
Mas no dia seguinte fui fazer o exame de farmácia e nunca vou esquecer da alegria que senti e, ao mesmo tempo, a estranheza ao ver aquelas linhas. Eu estava grávida. Eu tive toda a recompensa de todo meu esforço, eu ganhei meu pote de ouro que estava ao final do arco íris.
Grávida e não era de um beija-flor.
Dali para frente foi tudo mágica....
Dali para frente, foi só amor.
Aí tem a história do parto cesárea que dá outra crônica alucinante. Superação de novo.
Daí eu fiquei grávida de novo, sem querer, 6 meses depois.
Daí que minha vida mudou completamente, meu corpo também. Meu casamento também. Daí que veio o Lorenzo em outro parto cesárea angustiante e nada, nada humanizado. Daí que recomeço tudo de novo. Lutando pela minha vida profissional, pelo meu casamento, para criar duas crianças, para emagrecer de novo e levando em consideração que estou sempre doente, sem tempo, marido que viaja sem parar. Mas a gente tem que dar o primeiro passo e já dei.
Com 20 anos, 30, 56, 76 anos a gente tem que se reinventar a todo momento. O importante é não perder a essência nunca. Brava eu continuo. Talvez por exigir muito de mim, acabo exigindo muito dos outros. Tentar levar as coisas de uma forma mais leve, mais tolerante. Ser mais delicada comigo e com as pessoas, não me decepcionar com as pessoas porque eu também as decepciono, mas sabendo que todo mundo, eu repito, tem uma história.

Não tem sido fácil. Mas tenho ido fundo e vou mais. Tem gente que dou graças a Deus que foi embora, outras que eu faço de tudo para recuperar. Amigas que apareceram e que tem me ensinado a ser paciente, a saber aguardar. Amigas que também me colocam no lugar, me mandam para aquele lugar e eu refaço meus pensamentos.
Então, estou aqui, você que está lendo tudo isso.  Quero ter a minha vida, ser feliz. Todo o padrão feminista continua me envolvendo, minhas decisões também. Não estou fazendo nada para agradar a ninguém, além de mim mesmo e a minha saúde. Não pretendo ser magra porque não faz parte do meu biótipo, mas salvar meu joelho, meus órgãos internos e tudo o mais... minha autoestima idem. E certeza que alguém que seja magra e está lendo isso aqui, vai achar algo que gostaria de mudar ou ter na sua vida. A grama do vizinho é inevitavelmente mais verde. Será?!
E vamos acompanhar essa história por aqui.... Não são só quilos, mas outros quilos de outras coisas que eu preciso deixar para trás. Mas essa sou eu: coração enorme, coxas idem... mas vou atrás da minha felicidade.
E você?!
Ainda vai esperar o ano que vem achando que para esse ano não dá mais?!




sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Sobre quando a gente decide se abraçar....e andar! por Karina Petroni Fischer

Naquela manhã ela acordou decidida, mas era um de-ci-di-da que incluía que a decisão de decidir sobre as decisões dela era só dela: uma sensação boa, um pedacinho daquela paz que sempre quis.
Então, o que faria com aquela decisão de decidir, já que era sábado, não tinha que trabalhar? Manicure, ler um livro, comer algo deliciosamente bom e calórico, cinema?! Enquanto enumerava sua lista de “TO DO”, pensou que ultimamente tinha sido uma mulher que preferiu o nada a qualquer coisa, o zero ao risco do negativo, a sorrir amarelo a dizer dane-se. Por tanto tempo, que olhou no relógio e sentiu que já era  tempo de conviver com aquela sensação, quase que surreal, de comer um pedaço de cheesecake com coca zero deitada na cama e sujando não só a cama, como o pijama. Sujava-se muito pouco. Ora, o que pensariam? Evitava até pedir macarrão al sugo junto com os amigos.
Pronto, a decidida decidiu: ia convidar todo mundo para comer macarrão.  Lógico que pensariam que iria pedir, como sempre, algo que não a constrangesse ou aos outros, mas cara, gritou bem alto, eu faço isso há tantos anos! Pensando bem, desde que a mãe, quando ela tinha 4 anos de idade, em sua santa inocência, viu-a pegando a comida com a mão porque viu na TV crianças que faziam assim em uma aldeia e ríspida, disse: -”sua menina nojenta e sem modos, use o garfo e a faca!”
Será que ela comia macarrão com colher? Ela nunca viu! Freud, me explica?!
E ia convidar “ele”. Sim, ele e seus olhos absurdamente azuis que pareciam voar para fora e dentro, dentro e fora quando lhe dava as mãos e tudo o que ela mais queria era estar ao lado dele e daquela paz que ela temia tanto de tão desacostumada. Ah, como queria macarrão al sugo e ele.
Tuitou o recado do jantar. O mesmo restaurante,  mesmo horário: melhor não começar já assustando.  15 respostas rápidas de Ipads, Ipods, Smartphones, Notebooks, PCs. Uma vida praticamente Miojo, filosofou.
E vamos passar a fita para a frente, por favor. Não, não, ela não ficou horas escolhendo o vestido, nem o sapato e nem fez cara de desesperada em frente ao espelho. Esqueceram que ela era a decidida?
O garçom chegou.
- Prontos para pedir?
Ela foi a primeira:
- Eu quero um belo prato de spaghetti al sugo.
O mundo parou naquele momento e tal. Entretanto, lenga-lengas geralmente são para livros que depois que viram filmes, freqüentemente são cortados porque um filme custa muitos milhões de dó… euros, por assim dizer. Só um adendo: ele foi o único que delicadamente passou sua mão invisível bem na sua nuca. Ninguém viu, mas ela sentiu e ele também. Ô  calor!
E o macarrão chegou: lambuzado, quase que erótico, como se Like a Virgin tocasse ao fundo.
- Garçom, por favor, me traga uma faca.
O garçom trouxe a faca e ela, naquele momento, era grande, enorme, poderia matar 10 pessoas, mas só matou a fome dela, do decote do seu vestido preto em V profundo e da toalha. Um batalhão, praticamente!
A conta chegou. Geralmente rachavam, mas não ia rachar nada. Rachar, sim, a cara daquelas caras de eu não acredito que ela matou o macarrão, ok, mas rachar vinho espumante que ela não tomava, nem pa… chega!
- Oh garçom, você cobra o meu separado aqui ó ( e foi entregando o cartão 5 estrelas toda orgulhosa). Não esquece de colocar uma boa gorjeta para ti, hein! Eu faço questão, já que eu é que comi o macarrão do jeito que eu queria e não como os outros acham que eu deveria e foi você quem trouxe a faca, AMIGÃO.
Ah, malandra! Então, era ela, ele e o macarrão: como um abraço imensurável que inseparavelmente sela e… mela!

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Sobre reinventar-se.....em um mundo cada vez mais cego!

"Foi quando tu chegaste que descobri meu solo e minha pátria, que deixei o exílio e dei um nome à terra de que sou feita. Porque tu tens uns olhos que se perderam no mar e voltaram depois das tempestades com a dor de quem mais uma vez pôde ser salvo. Porque teus braços me resgataram, neles desfiz minhas fronteiras e me tornei contigo um mesmo horizonte que junta infinitos de céu e água. Porque tua voz me conta coisas outras enquanto falas e tu sabes o que eu ouço e não temes que eu saiba sobre todos os teus medos. Porque tu dizes meu nome de olhos fechados, afundado em minha carne e a noite toda lateja dentro de mim e o ruído do mundo cessa para que eu possa me lembrar só da tua voz dizendo o meu nome longe de todas as coisas. Porque tuas mãos falam a língua da minha pele e enfeitam meus cabelos de pequenas conchas e musgos para que eu encontre os sentidos que eu supunha naufragados para sempre. Porque eu já não poderia me entregar a mais ninguém sem voltar a ser estrangeira em mim mesma, sem ser de novo uma estranha atrás de meus próprios olhos, sem desertar para sempre do meu corpo."
(Ticcia)


Então, a gente torna-se mãe, mas o que é tornar-se mãe? Estamos lá, grávidas, nos preparando para o dia que aquele ser virá ao mundo. As pessoas nos dizem durma bastante, descanse, leia tudo sobre parto normal, se não foi normal, não é parto... e muitas outras coisas: umas bárbaras, outras lindas, mas quem definirá que tipo de mãe seremos, ou melhor, que queremos ser? Um grupo de mães, nossa própria mãe ou nós ou o nosso íntimo?
Não, não é uma tarefa fácil. Mas não vou me esquecer do conselho de uma amiga, também psicóloga, que me disse com todas as palavras "você terá a sua essência aí dentro e dará conta." 
Dito e feito: no começo foi confuso, queria que queria ser igual. Ter aquele parto, aquele médico, dar o peito 24 horas, queria que ela ouvisse música clássica, não visse televisão, muito menos tomasse suco de fruta. Mas era eu quem queria? Quem queria? Não, não era eu. Eram os outros! Com o segundo filho, tudo ficou mais claro e forte aqui dentro de mim: a família é minha, os filhos são meus e, dessa forma, sigo  firme, forte e confiante. Dentro dos nossos padrões, ou melhor, meu e do meu marido alemão o que já vale um artigo porque criar filhos com alguém que vem de outra cultura, pode ser muito engraçado... quando não estou na TPM!
Lendo o artigo da Fernanda e o texto da IPLA, fui remetida também ao filme ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA. , inspirado no livro de Saramago, que conta a fantasia de um autor que nos faz lembrar "a responsabilidade de ter olhos quando os outros os perderam." Bem forte isso: onde estão os seus olhos? O seu ponto de vista?
Dessa forma, insisto nisso: não há regras, há informação ( é preciso se informar, é preciso saber dos benefícios e malefícios de decisões arbitrárias ou não) e aí sim uma maternagem consciente, mas a Fernanda fala disso tudo muito, muito melhor do que eu!

Nascemos nus e nos tornamos o que a gente quiser!
Por Fernanda Oliveira

Essa semana li o texto do IPLA – Instituto da Psicanálise Lacaniana, “Nascemos nus, o resto é drag”   e fiquei pensando sobre nós, mães.
O texto fala sobre nos desvincular da expectativa do outro e sobre a invenção de cada um e relacionando com a maternidade na contemporaneidade fico pensando como somos cobradas de como devemos ser mães, quais os cuidados que devemos ter pra não surtar e sermos as melhores mães que temos condições de ser.
Acredito que com o advento da internet, estamos cada dia mais presas as imagens do que é ser uma boa mãe e consequemente quais os papéis e quais os comportamentos uma mãe deve ter. O quanto hoje vivemos uma ditadura da maternidade, como somos julgadas e condenadas porque amamentamos ou não, se já demos açúcar ou não, se vai pra escolinha ou não e por aí vai.
Diante de tantas possibilidades que a maternidade nos apresenta, como devemos nos portar? Acredito que o caminho é mesmo a construção a partir de nós mesmos, o que nos é minimamente possível e desejoso, o que gostamos ou não de fazer e penso que o quanto de investimento é possível e suportável para cada questão a ser apresentada na maternidade.
Somos seres mutantes e singulares, a questão é como viver plenamente nossa singularidade. Os estereótipos nos quais estamos presos, nos tornam mais preconceituosos e exigentes com a gente e com o outro. O quanto estamos realmente livres para sermos as melhores mães que podemos ser?
E quando surtamos, que possamos nos perdoar e aceitar que não é fácil pra ninguém e que temos o direito de não darmos conta de tudo que somos impostas e nos impomos. Surtar, inclusive, muitas vezes é a única possibilidade de pedir ajuda e por pra fora tudo aquilo que nos aflige e nos sufoca e que ser mãe nos dias de hoje é mais do que isso, ser mãe é demanda de amor e de compreensão, principalmente das outras mulheres e das outras mães.

Fernanda é psicóloga clínica na abordagem da Psicanálise Lacaniana (CRP: 06/117419), formada pela Unicastelo. Mineira, do Vale do Jequitinhonha, reside em São Carlos há 20 anos, de uma família grande de 7 irmãos. Pisciana, 34 anos mãe de uma pequena de 3 anos e meio que procura criar para ser feliz. Adepta da criação com apego, a favor do parto natural e da amamentação em livre demanda. À favor de ser mãe, na possibilidade de ser a melhor que consigamos ser. Como ela próprio diz: “sem neura e sem crise (risos!) porque o negócio doido é a dosagem, uai!”
Decidiu estudar psicologia para se entender e entender o mundo e porque acredita no poder de sermos protagonistas de nossas vidas.
Atende crianças, adultos, individual, grupo, familiar e de casal na Rua Paulino Botelho de Abreu Sampaio, 1040 (Rua da Santa Casa, 3 quarteirões para baixo, sentido USP) na Clínica 
Rossiti.  Telefones de contato: (16) 99188-3487/ 98819-7068 
email: psico.fernandaoliveira@gmail.com
 





sábado, 10 de outubro de 2015

Sobre a beleza da areia que canta...


"Somos hotel com dimensão e rotina de fazenda. Trezentos hectares de natureza com tudo o que se tem direito; incluindo a nascente “Areia que Canta”, aqui mesmo dentro do hotel. E apesar da natureza, da tranquilidade, da boa comida e de tanta coisa pra fazer, aqui, sua experiência começa mesmo é pelo conforto: apartamentos amplos, arejados e confortáveis e toda estrutura de gastronomia e lazer para você e para as crianças. Quando falamos em experiências autênticas é porque aqui a fazenda é de verdade: o horizonte é lá longe; o rio é rio; as matas são matas, e os pomares também. O silêncio só não é completo por causa da passarinhada, e muitas das coisas pra se fazer são parte da cultura e tradição do interior: as brincadeiras antigas, a moagem da cana, pescar, chupar fruta no pé, amassar o pão com as mãos, ou simplesmente deitar à sombra de um jatobazeiro e esquecer do relógio. Antes éramos apenas fazenda. O hotel veio depois, pra poder oferecer tudo isso, na sua essência, para você."
(Fonte: AQUI )


Simples assim. Poderia dar por encerrada essa matéria e pronto. Tipo, visitem o site, vejam as fotos, o vídeo e, minhas queridas, vocês estarão por satisfeitas e super refeitas após um final de semana prolongado por lá, mas não dá. É preciso dizer até de como se chega lá: já no começo da estrada, percebe-se que é um lugar que vai dar no paraíso. Há um caminho a percorrer para se chegar lá. E quando você chega, meu pai do Céu: é SIM o paraíso.
Porque é verde por todos os lados, os rios, as matas, as acomodações. Fazia tempo que não ia, mais precisamente 2 anos ou até mais e vi que aumentaram muitas coisas. Agora também possuem uma piscina aquecida, mais outra piscina com um bar lindo, aquelas espreguiçadeiras maravilhosas. Campo de futebol, campo de tennis e muito mais.
Basta assistir ao vídeo!
Tipo, é tudo um exagero de lindo, de gostoso. Você pode pescar, praticar algum esporte radical, brincar de tiroleza simplesmente pode padecer no paraíso e querer voltar sempre, tornando esse lugar a sua segunda casa.
Fomos eu, minha avó, marido e as crianças. Minha vó ficou apaixonada, Glorinha idem. Não sabia em qual piscina ir, mas calma, tínhamos o almoço antes. E que almoço era aquele?!
Variedade gigante de saladas, depois de pratos quentes (incluindo diferentes "pastas", carnes....), sobremesas típicas da área rural e ainda churrasco. Buffet realmente variado, comida de fazenda, come-se  bem e à vontade. A estrutura é muito grande mesmo! E vale a pena. Comida deliciosa, sucos naturais e aquela vista esplêndida por todos os lados.

 



O ambiente estava super animado e cheio porque o Areia que Canta conta também com espaço para convenções. Tanto para eventos pequenos como para grandes eventos. Eu imaginei , com certeza, um mega evento de mulheres lá com suas crianças, aproveitando o final de semana enquanto estivéssemos participando de mesas redondas, etc. E os pais cuidando das crianças, logicamente!
Um dos pontos altos da Areia que canta é descobrir justamente o motivo do nome. Confesso que a primeira vez que fiz o passeio, simplesmente eu e meu marido ficamos de boca aberta com o lance todo. Areia que canta tem haver com uma nascente (produzindo cerca de 70 mil litros de água por hora)  gigante que brota em meio a uma areia muito branca, feita de fínissimos grãos de quartzo que produzem som de cuíca quando a gente coloca entre as mãos e fricciona. É lindo! Lembro que ríamos de felicidade porque são aquelas coisas que a gente não entende, mas percebe que Deus está presente nos pequenos detalhes. O passeio inclui a visita à nascente e também às corredeiras do Rio Tamanduá (um lajeado de pedra por onde corre o rio, e forma suas pequenas quedas e “bacias” para hidromassagem natural). O mais engraçado de tudo é que esses primeiros passeios lá em Brotas foram feitos quando eu ainda namorava meu então marido. Ele vinha da Alemanha me visitar  e íamos para todos os cantos e foi inesquecível voltar lá, com a minha vó e lembrar que fomos com o carro dela que na volta, o amortecedor ou sei lá o que, decidiu nos pregar uma peça e a gente lá naquele calor, esperando o guincho. Muitos anos depois, a gente volta e volta com os filhos, sem ser com o carro da avó, mas com a avó junto. Essa vida é ou não é uma coisa de louco?!
Foto do site da Areia que canta


Foto do site areia que canta
Para se hospedar, vem a grande surpresa porque são 5 tipos diferentes de acomodação, dos mais simples aos mais sofisticados e, mesmo assim, todos, sem exceção, são lindos e valem a pena. São os apartamentos Flamboyant, Cabreúva, Ipê, Cedro e Jatobá. Resumindo, o Hotel Fazenda Areia que canta conta com a diversidade, que todas as pessoas sintam-se bem recebidas já que oferece 5 opções diferenciadas de acomodação. Como fomos só para passar o dia, não nos hospedamos, mas das outras vezes, ficamos hospedados em uma dessas estruturas, a Ala Cedro, e amamos. É como estar em casa e todo o suporte que cada apartamento oferece, principalmente para quem tem filhos e sabe que tem que levar uma mega estrutura de carrinho, de comida especial para bebê....
Porém, quem quiser só passar o dia lá e aproveitar, é totalmente possível! As visitas diárias são bem-vindas  e por um valor único você e sua família podem almoçar e optar por passeios como andar a cavalo, ir até a Areia que Canta, etc. Tem de tudo para todos os gostos.

Os funcionários são super atenciosos, de uma educação sem tamanho. Estão sempre por todo os cantos, oferecendo ajuda e suporte.
Fora isso, a gente não pode esquecer que não é simplesmente um hotel. Há uma história familiar que fundou tudo aquilo e que hoje é dirigido pelas irmãs Farsoni. Há até um pequeno museu onde pode-se saber mais sobre a família. Antes de tornar-se hotel, era só (?) uma fazenda cujos proprietários sempre recebiam amigos nos 150 alqueires e a partir de 1994, começou a se estruturar para receber turistas e a Eloisa Farsoni, que me respondeu "pessoalmente" (sic) o email, faz parte da quinta geração que está levando o espaço (grande, por sinal) para alçar voos cada vez mais maiores.

Ao fazer o check out, você ainda recebe uma pasta com o folder, um cd e tudo o mais para saber ainda mais desse lugar maravilhoso.


Gente, sempre fui e sempre serei fã de Brotas. Não tem jeito. É um lugar com gente do bem, passeios maravilhosos. Vale a pena. E fico devendo as fotos maravilhosas que tirei, mas Glorinha, como faz com meu telefone, escondeu a câmera então, uma hora ou outra eu acharei e postarei aqui para deslumbre total.




Hotel Fazenda & Ecoturismo Areia que Canta

Rodovia Paulo Nilo Romano, KM 124,5, – Brotas /SP

Tel: (14) 3653-1382

As diárias têm início às 17h e se encerram às 15h.

Taxas opcionais: 5% de serviço e R$ 2,00 taxa de turismo por dia;

Reservas – depósito de 30% do valor. Restante do pagamento efetuado na saída do hotel sendo metade à vista e outra metade para 30 dias com cheque. O hotel não aceita cartões crédito/débito.

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Um dia quase normal....

Então, ela disse que não aguentaria mais aquela situação. Uma hora era o menor com gripe. Primeiro, foi a bronquiolite, depois foi a otite. Aí, logo depois, era maior que ora ficava gripada, ora tinha problemas no ouvido. E ela acordando todas as madrugadas para aplicar remédio em um, fazer vaporização no outro, pingar colírio. Meu pai, do céu, ela exclamou, porque  não dizem que com filhos vem tudo isso?!

Vem as gripes, os catarros, as tosses que não cessam, o ar frio que pode fazer um estrago do caramba se o corpo estiver quente. 
Pensou durante semanas o que poderia fazer: colocá-los em uma bolha e esperar que chegassem aos 18 anos são e salvos, sem mais nenhum doença, também em desistir de tudo, comprar uma passagem pra Indochina e fazer a Catherine Deneuve, mas logo desistiu.
Pensou em tirar a filha da escola ou até pedir um emprego lá e poderia ficar passando álcool em todos os locais, em todas as mãos, pessoas que por ali passavam. Até o momento de já tacar fogo para esterilizar tudo direito.
Comprou máscaras cirúrgicas, todas as homeopatias possíveis e inimagináveis. Caso dissessem que seus filhos ficariam imunes a todas as doenças , usando um pedacinho do casco da cobra mais rara do mundo, se dissessem que ela só precisava passar a linguinha da cobra nas costas de cada um deles e isso os protegeria de todas as doenças, ela assim o faria.
Mas não tem jeito, pensava resignada porém, nada convencida! Na verdade, todos ficam, uns mais, outros menos, ou seja, não tem como fugir, colocar o filho em uma masmorra , uma bolha de ar hiper poderosa porque nada nem ninguém poderia tirar dela a ansiedade da próxima doencinha chata e ranheta que batia a porta, sem pedir licença.

Ela até já sabia quando a desgramada estava para chegar. Glorinha se recusava a comer, a rir... Justo ela que ria para todo mundo, caia em lágrimas de tanto rir. Até na escolinha quando ela chegava sem querer bater muito papo já diziam: "vixi, já estou até vendo..."
Era a danada chegando, mas qual era o nome da danada da vez...isso ela nunca sabia. Nunca saberia! 
Uma danada de doencinha mais uma danada de Glorinha, combinação explosiva! Danada de feliz, de risonha, de dada até o último fio de cabelo, daquelas que nem olham para trás para dizer tchau e que pulava no pescoço das professoras como se não as visse todos os dias. Gloria, Glorinha, simplesmente com aquele sorrisinho de lado que desbundava o ser mais triste do planeta (e olha que ela era um dos seres mais tristes desse planeta e Deus a encheu de milagre quando engravidou da Glória e do Lorenzo!).

Mas o problema era que não saia mais do consultório da pediatra. A tal da mãe preocupada, responsável por duas vidas, dois seres que vieram dela, que pariu de cesárea! 
Pô, a mulher já recebeu os filhos dela de forma humanizada na maternidade, já a via há quase dois anos todo mês (já que engravidou do Lorenzo quando  Glorinha tinha 6 meses) e ela lá agora, quase todo santo dia (exagerando um pouco!). Na verdade, se parássemos para pensar, a  médica a via mais do que ela via o marido... praticamente! Mas, pô, Lorenzo pega tudo da Glorinha e a Glorinha pega as coisinhas do convívio com outras crianças e uma mãe assustada e  na maioria das vezes sozinha, fica a ponto de surtar com qualquer pum feito na hora errada (se é que existe soltar pum na hora errada, né?!).
Desde manhã correndo de um lado para o outro. Levá-la para cortar cabelo, fechar parceria, comprar leite, pagar conta da farmácia de manipulação que do nada não tem mais whatsap (e a gente faz de conta que acredita. Bem, queridas, o dinheiro que deixei aí foi bem legal. Passado: deixei!), deixar documento no advogado da batida do carro. Ligar para a Lili e dizer que tá chegando, já deixar o prato dela pronto, fazer o suco, por favor. Chegar, tirar os sapatos, lavar as mãos. Correr para cozinha. Enquanto ela enrola, ela e a Lili olham de soslaio para a pequena não perceber que estão de olho. Deixar a lancheira dela pronta, a do Lorenzo também. Vamos, vamos, minha filhinha, você ainda tem que descansar para poder aproveitar a escolinha. O dia nessa casa começa às 5 e pouco. Todo dia eles fazem sempre tudo igual. 
Pronto, escovar o dente. Colocar para dormir. Descansar por 1 hora e meia, 2 horas, mas é preciso. Lili coloca Lorenzo para dormir. Ela dá remédio para a febre, a talzinha da vez. Demora para pegar no sono. Irritada, amuada. Não, nãoooooooo! Acorda melhorzinha. Ufa! Graças a Deus! 
Corre com Lorenzo para arrumar a sobrancelha e tirar o buço português no salão. Espera pouco no salão. Que delícia aquele ar condicionado e aprendendo a se fazer cada vez mais de idiota, mas beleza.
Reunião com a sócia. A física japonesa porreta que tem os pés no chão e o coração gigante. Ela fala, ela escuta. Ela fala, a japa escuta e a japa é foda. As coisas funcionam. Funcionará muito mais: chance de provar para ela que rola, chance de não provar nada aos outros que para os outros ela realmente nunca ligou. Como naquela música que diz :"os outros são os outros e só..." ou "eles passarão, eu passarinho!"
Ata rapidinho. Decidem isso, aquilo. "Terapia, De. De, segura o Lorenzo. Moço, abaixa um pouco o ar condicionado. Meu filho, sabe como é, está meio gripado."
Barzinho fofo, virou nosso ponto de encontro com wifi, com cafés deliciosos e livros evangélicos. Um ar cheio de Deus, de livros de Deus. Sentiu-se até mais santa! E mais mãe!

E bota todas as malas no carro, calor a mil.
De prefere voltar a USP a pé.
Dá a volta para ir a terapia. Ela xinga o barbeiro e a De, andando,ouve  e grita rindo: "calma, mulher."
Ela ri. Calma sim, mas quieta só quando morrer!
Chega lá. Ah, que delicia rever a Si. Si, de olhos claros.... Outra história para contar.
E fala, falamos..... Diz a ela que as coisas não podem ficar engasgadas na garganta, que não fecha com falsidade, que não consegue. Entende alguns lances, outros tem que digerir mais. Ou não... Na verdade, a gente não tem que digerir nada que nos faça mal. Focar nas conquistas, não esperar nada de ninguém.... lutar! Ainda captando a essência da conversa de hoje.
O telefone toca: escolinha.
Pede licença já com o coração sangrando na outra mão e o celular na outra.
A Cris diz: "oh Ka, Glorinha tá com febre, olhos lacrimejando, melhor vir buscar..."
Ela, pela primeira vez, fico calma, mas penso lá vamos lá "nóis" de novo a pediatra.
Melhor ter um cartão fidelidade com direito a uma escova inteligente. Vai propor isso a médica.
Pega tudo de novo bolsa, carrinho, brinquedos. Lorenzo. Vai para o carro, liga para o pai que diz qu avisou que era melhor ela não ir a escolinha. O pai é como aquelas velhinhas de 80 anos que sempre diz que avisou antes.... Um alemão praticamente!
Diz que vai encontrá-la na escolinha.
Lá encontram Glorinha, a luz da vida. Lorenzo pelado. Ela fazendo um lanchinho com uma amiguinha com o triplo do tamanho dela como se a escola fosse a extensão da casa dela. E é! Essa é a Glorinha!
Bem, vamos lá de novo....

Pediatra.... Olhos lacrimejando, febre, qual o nome dessa vez. Quem foi que chegou?
Desce do carro correndo, deixa as crianças para o pai pegar. Acha que nem precisa mais se explicar as secretárias. Já vai fazer um cartaz escrito "ADIVINHE". 
Pronto!
Esperamos, se finge de morta na cadeira para dormir um pouco. Calor que mata. Ela chama mama, mama (mamãe em alemão). Lorenzo pede peito tacando a cabeça no meio das tetas dela. E ela acha que tinha que ter uma cama e uma massagem relaxante na sala de espera, mas nem tudo pode ser tão perfeito, né?!
Chega a vez deles.
Ela já entra e diz: "o lance é o seguinte, Dra, ou eu vou te sequestrar e te soltar só quando eles tiverem 18 anos, ou ganhar uma escova inteligente de bônus por vir tanto aqui ou eu me separo do Dirk e caso com um pediatra... ou uma pediatra."
Caem na risada.
Crise alérgica, melhor não ir a escola amanhã....
Ah, meu pai! Justo no dia de levar o brinquedo e trazer livrinho, mas vai buscar amanhã cedo o livrinho porque as sextas sem livrinho, não são sextas!
A Dra. ainda conta que quase me enviou uma mensagem porque ganhou um creme alemão e foi passar após o banho e o negócio não desmanchava na pele. Aquela coisa alemã mesmo. Firme e forte. Ela ria, eles também. Porque não era creme , era sabonete para o corpo em forma de creme.
Dirk diz o nome disso em alemão. Olham para ele e fazem cara de "coma"?!
Mas beleza.
Nada sério. Vamos prosseguir!
E ela diz: "então nos vemos amanhã de novo, se Deus quiser".... 
Brincadeira, mas juro que pensou nisso.
Já que estão na rua, pensam em desfrutar de uma noite tranquila e jantar fora. Claro, com duas crianças (aqui entra o saco de risadas, ok?!).
Ah, tudo pode ser tão calmo e divertido... mas não!
Come em pé, se divide entre dar comida para a Gloria, para o Lorenzo, o pai acalmar a Glorinha.... Obviamente, não quer comer nada. Come o dela correndo e vai a padaria comprar os pães de queijo que a filha gosta. Ai, como é menas! E ama! Mas esse ano podem falar que foram jantar fora....ou sei lá o nome daquele evento. E ainda teve que ouvir o marido perguntando se tinha pedido uma canja com cara de nojo (ele tem nojo de canja!) e era um risoto.
Mais uma diversão.
Chegam em casa, marido coloca Lorenzo para dormir. Ela vai tomar, tentar tomar um banho divertido com a Glorinha. E o banho divertido é exaustivo, muito exaustivo. Porque são vários passos para ela não surtar... Ela é um anjinho, mas pode ser um a chatinha birrenta sim. Ela admite. Ela também assiste TV, só pra constar! E a mãe também sai a noite para se divertir e o pai que se vire! Ou ela fez os filhos com os dedos?!
O banho divertido dá certo. Está exausta.
Mas ainda tem a casa para colocar em ordem. Lembrem-se que tem que tirar tudo do carro e ainda levar os cachorros para passear e ai quando a mãe chega ao nível de sair de camisola mesmo pra passear como cachorros e não estar nem aí para a opinião dos outros ou dos vizinhos, ela mesmo já se considera um samurai. Palmas!
Pronto. Ufa!
Agora vai assistir a novela. Cadê a novela? Atena, cadê você e o Romero, quando vocês vão se pegar?!
E vai passar futebol. Futebol?!
Pois é, essa é a realidade mais triste e chocante do dia!
Pouca felicidade em um dia quente, mas pelo menos jantaram fora.
Só não pode ir a yoga com a queridona, a Natália, mas se lembrou com essa crônica de um exercício que a professora faz no começo da aula: pede que relembrem todo o dia, do momento que acordam, ao que comeram, o que fizeram, como chegaram até lá....
Então se dá conta que, na verdade, esteve lá.
Ser mãe, ser mãe... é isso aí...
Às vezes é bom, às vezes é ruim, dói, enche de alegria.
É como um grande palavrão falado no momento certo que alivia tudo.
Mãe....
Um dia de cada vez... e esperando a próxima.... deixa quieto!
E ela termina essa noite ouvindo a diva Macy Gray , aqui.

And I tell friends about the love I'm in
And they want me to describe it
I say there are no words but I will try it
It's like beyond the moon and its all I do
And it knocks me off my feet
And there are moments in the day, that I cant breath
It's the first time, for me
It's the first time, I feel
True love And what it really means
Yeh, Its the first time its the first time for me
Forgive me love, forgive me love, I make me mistakes
And I know sometimes it's more than you can take
But give me one more chance bc the circumstance is that I'm just a beginner