"Foi quando tu chegaste que descobri meu solo e
minha pátria, que deixei o exílio e dei um nome à terra de que sou feita.
Porque tu tens uns olhos que se perderam no mar e voltaram depois das
tempestades com a dor de quem mais uma vez pôde ser salvo. Porque teus braços
me resgataram, neles desfiz minhas fronteiras e me tornei contigo um mesmo
horizonte que junta infinitos de céu e água. Porque tua voz me conta coisas
outras enquanto falas e tu sabes o que eu ouço e não temes que eu saiba sobre
todos os teus medos. Porque tu dizes meu nome de olhos fechados, afundado em
minha carne e a noite toda lateja dentro de mim e o ruído do mundo cessa para
que eu possa me lembrar só da tua voz dizendo o meu nome longe de todas as
coisas. Porque tuas mãos falam a língua da minha pele e enfeitam meus cabelos
de pequenas conchas e musgos para que eu encontre os sentidos que eu supunha
naufragados para sempre. Porque eu já não poderia me entregar a mais ninguém
sem voltar a ser estrangeira em mim mesma, sem ser de novo uma estranha atrás
de meus próprios olhos, sem desertar para sempre do meu corpo."
(Ticcia)
Então, a gente torna-se mãe, mas o que é tornar-se mãe? Estamos lá, grávidas, nos preparando para o dia que aquele ser virá ao mundo. As pessoas nos dizem durma bastante, descanse, leia tudo sobre parto normal, se não foi normal, não é parto... e muitas outras coisas: umas bárbaras, outras lindas, mas quem definirá que tipo de mãe seremos, ou melhor, que queremos ser? Um grupo de mães, nossa própria mãe ou nós ou o nosso íntimo?
Não, não é uma tarefa fácil. Mas não vou me esquecer do conselho de uma amiga, também psicóloga, que me disse com todas as palavras "você terá a sua essência aí dentro e dará conta."
Dito e feito: no começo foi confuso, queria que queria ser igual. Ter aquele parto, aquele médico, dar o peito 24 horas, queria que ela ouvisse música clássica, não visse televisão, muito menos tomasse suco de fruta. Mas era eu quem queria? Quem queria? Não, não era eu. Eram os outros! Com o segundo filho, tudo ficou mais claro e forte aqui dentro de mim: a família é minha, os filhos são meus e, dessa forma, sigo firme, forte e confiante. Dentro dos nossos padrões, ou melhor, meu e do meu marido alemão o que já vale um artigo porque criar filhos com alguém que vem de outra cultura, pode ser muito engraçado... quando não estou na TPM!
Dito e feito: no começo foi confuso, queria que queria ser igual. Ter aquele parto, aquele médico, dar o peito 24 horas, queria que ela ouvisse música clássica, não visse televisão, muito menos tomasse suco de fruta. Mas era eu quem queria? Quem queria? Não, não era eu. Eram os outros! Com o segundo filho, tudo ficou mais claro e forte aqui dentro de mim: a família é minha, os filhos são meus e, dessa forma, sigo firme, forte e confiante. Dentro dos nossos padrões, ou melhor, meu e do meu marido alemão o que já vale um artigo porque criar filhos com alguém que vem de outra cultura, pode ser muito engraçado... quando não estou na TPM!
Lendo o artigo da Fernanda e o texto da IPLA, fui remetida também ao filme ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA. , inspirado no livro de Saramago, que conta a fantasia de um autor que nos faz lembrar "a responsabilidade de ter olhos quando os outros os perderam." Bem forte isso: onde estão os seus olhos? O seu ponto de vista?
Dessa forma, insisto nisso: não há regras, há informação ( é preciso se informar, é preciso saber dos benefícios e malefícios de decisões arbitrárias ou não) e aí sim uma maternagem consciente, mas a Fernanda fala disso tudo muito, muito melhor do que eu!
Nascemos
nus e nos tornamos o que a gente quiser!
Por Fernanda Oliveira
Essa semana li o texto do IPLA – Instituto da
Psicanálise Lacaniana, “Nascemos nus, o resto é drag” e fiquei pensando sobre nós, mães.
O texto fala sobre nos desvincular da
expectativa do outro e sobre a invenção de cada um e relacionando com a
maternidade na contemporaneidade fico pensando como somos cobradas de como
devemos ser mães, quais os cuidados que devemos ter pra não surtar e sermos as
melhores mães que temos condições de ser.
Acredito que com o advento da internet,
estamos cada dia mais presas as imagens do que é ser uma boa mãe e
consequemente quais os papéis e quais os comportamentos uma mãe deve ter. O
quanto hoje vivemos uma ditadura da maternidade, como somos julgadas e
condenadas porque amamentamos ou não, se já demos açúcar ou não, se vai pra
escolinha ou não e por aí vai.
Diante de tantas possibilidades que a
maternidade nos apresenta, como devemos nos portar? Acredito que o caminho é
mesmo a construção a partir de nós mesmos, o que nos é minimamente possível e
desejoso, o que gostamos ou não de fazer e penso que o quanto de investimento é
possível e suportável para cada questão a ser apresentada na maternidade.
Somos seres mutantes e singulares, a questão
é como viver plenamente nossa singularidade. Os estereótipos nos quais estamos
presos, nos tornam mais preconceituosos e exigentes com a gente e com o outro.
O quanto estamos realmente livres para sermos as melhores mães que podemos ser?
E quando surtamos, que possamos nos perdoar e
aceitar que não é fácil pra ninguém e que temos o direito de não darmos conta
de tudo que somos impostas e nos impomos. Surtar, inclusive, muitas vezes é a
única possibilidade de pedir ajuda e por pra fora tudo aquilo que nos aflige e
nos sufoca e que ser mãe nos dias de hoje é mais do que isso, ser mãe é demanda
de amor e de compreensão, principalmente das outras mulheres e das outras mães.
Fernanda é psicóloga clínica na abordagem da Psicanálise Lacaniana (CRP: 06/117419), formada pela Unicastelo. Mineira, do Vale do Jequitinhonha, reside em São Carlos há 20 anos, de uma família grande de 7 irmãos. Pisciana, 34 anos mãe de uma pequena de 3 anos e meio que procura criar para ser feliz. Adepta da criação com apego, a favor do parto natural e da amamentação em livre demanda. À favor de ser mãe, na possibilidade de ser a melhor que consigamos ser. Como ela próprio diz: “sem neura e sem crise (risos!) porque o negócio doido é a dosagem, uai!”
Decidiu estudar psicologia para se entender e entender o mundo e porque acredita no poder de sermos protagonistas de nossas vidas.
Atende crianças, adultos, individual, grupo, familiar e de casal na Rua Paulino Botelho de Abreu Sampaio, 1040 (Rua da Santa Casa, 3 quarteirões para baixo, sentido USP) na Clínica
Rossiti. Telefones de contato: (16) 99188-3487/ 98819-7068
email: psico.fernandaoliveira@gmail.com
email: psico.fernandaoliveira@gmail.com



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